domingo, 27 de abril de 2008

SOU UMA HISTÓRIA?

Durante algumas leituras realizadas, textos da interdisciplina de Representação do Mundo pelos Estudos Sociais, mais as lembranças das discussões da interdisciplina de Escolarização, Espaço e Tempo na perspectiva Histórica, passei a rever muitos dos momentos de sala de aula em relação a isso: espaços e tempos. A muito que as informações sobre a história de vida dos alunos é vista como parte importante para o pensar pedagógico para os alunos autistas, mas os subsídios confirmam e nos dão mais possibilidades de trabalhar estas questões. Foi então que surge a proposta da elaboração de uma linha de tempo onde as famílias fazem o resgate histórico por fotos, informações, revendo a sua participação no contexto faniliar. É comum vermos então imagens e maiores informações até por volta dos 2 anos de idade, idade em que a síndrome não é tão aparente nas suas peculiaridades, visto que até este momento a linguagem não é tão evidente em crianças sem o diagnóstico. A partir daí inicia um processo de poucos registros fotográficos e de informações até a chegada ao ambiente escolar. O que parece neste espaço e tempo o sujeito deixa de ser observado como criança e passa aser visto e pensado como "diferente" e inicia-se outra fase: busca de porquês. Este resgate que se pretende, parte do princípio que o sujeito é considerado muitas vezes sem identidade, que não se reconhece, não participa, é reforçado por este comportamento inconsciente, mas que pode muitas vezes agravar os sintomas.
Esta tarefa foi pensada e está sendo solicitada as famílias que separem os dados e imagens e na próxima reunião seja construída (linha do tempo) e feitas reflexões a partir dela. Não haverá crítica, ou menções a respeito das observações acima, apenas tentado buscar situar este sujeito no contexto, demonstrando-o como integrante, e de sua forma participante dos contextos vivenciados pelos demais membros da família. Valorizar a presença de todos, respeitar a interação de cada um da sua forma particular, observar que o sujeito autista de sua forma particular demonstra (de forma diferente) a sua posição no contexto familiar.

Um comentário:

Cris Lemos disse...

Olá!
Como construir uma história sem identidade? Este resgate é relevante e, mesmo tacitamente, este momente deve promover a reflexão sobre a situação familiar e o papel deste filho neste e em outros espaços. Um momento rico que exige a atenção e a sensibilidade do professor para conduzi-lo adequadamente.
Um abraço, Cris Lemos